Trilha aquática une história e natureza

Percurso pelo Rio Paraná atravessa três estados e reúne patrimônios históricos

por metropolitano
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A Rota dos Pioneiros é considerada a maior trilha aquática do Brasil, com percurso entre 388,8 km e 407 km pelo Rio Paraná. A expedição completa pode durar de 16 a 27 dias e integra os Caminhos do Peabiru.

O trajeto conecta o Parque Estadual do Morro do Diabo, em São Paulo, ao Lago de Itaipu, no Paraná. Além da navegação, a rota inclui trechos de caminhada e mountain bike, com acesso a diferentes paisagens naturais.

A região também preserva registros de conflitos e ocupações históricas. Antes de se tornar destino de ecoturismo, foi habitada por povos indígenas, como guaranis, caiouás e caingangues, e esteve sob domínio da Coroa espanhola.

Entre os episódios marcantes estão as missões jesuíticas, fundadas a partir de 1610, e o Êxodo Guairenho, em 1631. Na ocasião, milhares de indígenas fugiram de ataques de bandeirantes paulistas pelos rios Paranapanema e Paraná.

Rota atravessa 18 municípios e sete áreas de conservação

A Rota dos Pioneiros percorre 18 municípios de três estados brasileiros e está dividida em três regiões e oito setores. A estrutura permite realizar a expedição completa ou escolher trechos conforme o tempo disponível.

No percurso paulista, a trilha passa por Teodoro Sampaio, Euclides da Cunha Paulista e Rosana. Em Mato Grosso do Sul, inclui municípios como Naviraí, Itaquiraí e Mundo Novo, seguindo depois pelo noroeste paranaense.

O itinerário atravessa sete Unidades de Conservação, entre elas o Parque Estadual do Morro do Diabo, o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema e o Parque Nacional de Ilha Grande.

As atividades incluem observação de aves e fauna, banhos de rio e cachoeira, visitas a grutas, museus e cidades históricas. O percurso também oferece experiências de turismo rural e pontos para contemplação da paisagem.

Vestígios históricos no Rio Paraná

Ao longo da Rota dos Pioneiros, o Rio Paraná guarda vestígios de conflitos históricos e formações naturais. Em Porto São José, no Paraná, uma fenda subaquática conhecida como “fundão” chega a 18 metros de profundidade.

Nas proximidades de Porto Rico e Porto São José, equipes de mergulho encontraram restos de embarcações, fuzis e grilhões relacionados à Revolução de 1924. Os achados ajudam a contar a história dos confrontos ocorridos na região.

O trajeto também cruza o Trópico de Capricórnio, referência geográfica que delimita a Zona Tropical Sul. Outro destaque é o Parque Estadual do Morro do Diabo, cuja elevação se destaca na paisagem do Pontal do Paranapanema.

Em Guaíra, a tradição da erva-mate permanece presente na cultura local. Conhecida como ca’á pelos guaranis, a planta integra costumes regionais expressos no consumo de chimarrão e tereré.

Segurança e planejamento são essenciais

Quem pretende percorrer a Rota dos Pioneiros deve planejar o trajeto e priorizar a segurança durante a navegação. A recomendação é evitar viagens solitárias, buscar orientação de guias experientes e acompanhar a previsão do tempo.

Entre os equipamentos indicados estão colete salva-vidas, apito, remo reserva, GPS com mapas salvos, carta náutica e kit de primeiros socorros. Também são necessários proteção solar e materiais adequados para acampamento.

A rota conta com pontos de apoio para alimentação, abastecimento de água e pernoite, como o Balneário Municipal de Rosana, Porto Maringá, Porto São José, Porto Caiuá e o Centro Náutico Marinas, em Guaíra.

Antes de acampar ou visitar áreas protegidas, é necessário consultar os órgãos responsáveis, como ICMBio e IMASUL. O pernoite em locais proibidos pode gerar multas e causar danos ambientais.

Portos fluviais facilitam acesso

A Rota dos Pioneiros permite iniciar ou interromper o percurso em diferentes portos fluviais ao longo do Rio Paraná. Essa flexibilidade facilita o planejamento de viagens por trechos, sem a necessidade de completar toda a expedição.

Para quem começa pelo norte, o Aeroporto de Presidente Prudente, a cerca de 110 km de Teodoro Sampaio, é uma referência. O acesso terrestre segue pelas rodovias SP-563 e SP-613, enquanto Rosana oferece entrada pelo rio.

Nos trechos intermediários, cidades como Maringá e Umuarama ajudam a conectar viajantes aos portos paranaenses. Em Mato Grosso do Sul, a BR-163 e rodovias estaduais dão acesso a pontos como Porto Caiuá e Porto Morumbi.

No trecho sul, Guaíra concentra acessos como o Porto do Cano e o Centro Náutico Marinas. Para quem vem de outros estados, o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu é uma opção de chegada próxima ao Lago de Itaipu.

Foto: Divulgação

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