Arcebispo vai a Belém do Pará, agradecido pelas experiências positivas em Sorocaba

por metropolitano
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‘Vou de coração aberto” afirma dom Julio Endi Akamine, levando gratidão pelos anos vividos por aqui como Pastor de uma Igreja centenária

“Nós, cristãos, temos nossa pátria no Céu. Toda pátria, para nós, é nossa casa e toda casa é, para nós, terra estrangeira, porque a nossa pátria definitiva é o Céu. Esperamos nos encontrar todos lá!”

Parafraseando escritos encontrados na chamada Carta a Diogneto, considerada joia da literatura cristã primitiva, ícone da Igreja dos tempos apostólicos, o agora administrador arquidiocesano dom Julio Endi Akamine, SAC, concluiu a entrevista coletiva de imprensa que concedeu em Sorocaba na manhã desta quinta-feira (3), no Auditório “Dom José Lambert”, do Instituto Superior de Teologia João Paulo II, o antigo Salão Verde da Uniso, na avenida Dr. Eugênio Salerno, junto ao Seminário “São Carlos Borromeu”, a propósito de sua transferência para a Arquidiocese de Belém do Pará, no coração da Amazônia, primeiramente como arcebispo coadjutor com direito à sucessão, oficializada a 6 de março pelo Papa Francisco e publicada na edição do dia seguinte pelo ‘L’Osservatore Romano’, o jornal oficial do Estado do Vaticano. A entrevista também foi, inclusive, transmitida ao vivo para a região norte do País pela Rede Nazaré de Rádio e Televisão, ligada à Arquidiocese de Belém.

Dom Julio Endi Akamine está, assim, concluindo um ciclo de mais de 8 anos como quinto bispo e terceiro arcebispo metropolitano de Sorocaba, empossado a 25 de fevereiro de 2017. “Assim é a vida do Bispo: precisa lançar raízes e amar de todo o coração os que a ele são confiados, mas deve, ao mesmo tempo, ter o desapego necessário para seguir por outros caminhos quando a Igreja o pede. Não é fácil manter o equilíbrio entre o amor e o desapego, a importância de lançar profundas raízes no lugar e de se deixar transportar para onde Deus mandar. Nessa tensão entre a fixação e a mobilidade, entre a casa e a tenda, entre o que amamos e o que iremos amar, está situada a vida cristã”, acrescentou ele ao falar aos comunicadores sociais sobre sua partida, explicando que, na realidade, a nova ‘divina aventura’ começou para ele semanas antes do 6/7 de março, quando a 10 de fevereiro, de malas prontas no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, para embarcar para uma viagem de férias para o Japão, longamente preparada, recebeu um telefonema do núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, transmitindo o convite da Santa Sé. De pronto aceitou a nomeação, dando seu ‘sim’ várias vezes manifestado à Igreja durante sua vida como seminarista, sacerdote e bispo, porém explicou a situação ao Sr. Núncio. Não se tratava, aliás, de mera viagem de férias, mas inclusive pastoral, pois a comitiva que o acompanhava, inclusive padre Tadeu Rocha Moraes, pároco da Catedral Metropolitana de Sorocaba, passaria por várias cidades com expressivas comunidades católicas, formadas por grande número de brasileiros, como Nagasaki e Tóquio. Com a concordância de dom Giambattista Diquattro, deixou-se para o encaminhamento da nomeação para depois do retorno da viagem ao Oriente, prevista para 1º de março. “A viagem foi muito boa, um momento de descanso e também um momento muito frutuoso de encontro com a comunidade católica que está lá no Japão e que passa por muitas dificuldades de uma comunidade presente num país muito diferente. Levamos, então, uma mensagem de esperança a essa comunidade às vezes tão sofrida com tantas dificuldades de adaptação, língua e cultura”, sublinhou ainda dom Julio, acentuando, contudo, que procurava manter a paz no coração vivendo o momento presente, mesmo se a essas alturas já preso pelo chamado ‘segredo pontifício’.

A apresentação oficial do novo arcebispo coadjutor de Belém à comunidade paraense ocorrerá na manhã do sábado 31 de maio, solenidade litúrgica da visitação de Nossa Senhora à prima Isabel, na Sé Catedral de Nossa Senhora das Graças, no centro histórico da cidade. Não será, porém, uma posse na acepção da palavra. Isto porque dom Julio chega a Belém como coadjutor do atual arcebispo metropolitano de Belém do Pará, dom Alberto Taveira. “Rendo graças a Deus também por isto, pois terei, certamente, um bom tempo para me ambientar à realidade pastoral e à cultura, costumes e tradições de Belém do Pará”, disse ainda dom Julio, visto que, embora já agora em maio dom Taveira complete 75 anos, idade-limite para todos os bispos apresentarem ao Papa seu pedido de renúncia, a Santa Sé ainda deve demorar algum tempo para aceitar aquele que deverá ser formalizado pelo atual titular da Arquidiocese de Belém do Pará. Só depois disso deverá, então, ocorrer a posse canônica de dom Julio como arcebispo metropolitano.

Agradecimentos e perspectivas

Dom Julio ontem também deixou agradecimentos à comunidade arquidiocesana sorocabana, composta por mais de 800 mil católicos, presentes na sede episcopal e mais onze municípios circunvizinhos de Sorocaba, pelos anos em que aqui permaneceu, classificando-os como uma experiência muito positiva, “mesmo se às vezes difícil e dolorosa, mas sempre positiva”. E não titubeou ao afirmar que, como para muita gente, a nova nomeação também o colheu em meio a muita surpresa.

Em Belém, porém, certamente, por outro lado, como também adiantou, muito trabalho e surpresas aguardam por dom Julio. Em novembro, Belém do Pará será a sede brasileira da Cop30, a 30º Conferência Mundial das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, que atrairá para o País as maiores lideranças políticas mundiais. Antes, contudo, as expectativas de dom Julio se voltam à realização, durante todo o mês de outubro, do Círio de Nazaré’2025, considerada a maior concentração religiosa mariana do mundo, reunindo todos os anos mais de 2 milhões de fiéis devotos. E faz uma comparação com a Romaria de Aparecidinha, que aqui encontrou quando chegou a Sorocaba em 2017 e da qual sempre fez questão de participar ao lado dos romeiros, caminhando a pé pelos 17 quilômetros que separam o histórico bairro do centro de Sorocaba e vice-versa, inclusive quando de recente cirurgia nos joelhos: “Eu vou de coração aberto e tenho esperança de que, da mesma forma da experiência agradável e feliz com a Romaria de Aparecidinha, o Círio de Nazaré possa fazer parte da minha vida. A gente cresce também com a devoção das pessoas, uma manifestação que vem do coração e não só das pessoas, é algo que nos encanta, que nos atrai e nos enche de expectativas”, comentou.

Já as expectativas para a Cop30, segundo dom Julio, também são enormes, embora mesmo com a Igreja da Amazônia e também de todo o Brasil esteja há anos mobilizada em torno da chamada ‘Ecologia Integral’ – inclusive, este é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, com o lema “E Deus viu que tudo era muito bom”, numa alegoria às bênçãos da Criação -, o Estado do Vaticano cuida particularmente da representação da Igreja ao evento, não sendo descartada a presença do próprio secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin.

“Quero dizer para vocês que estou chegando – afirmou dom Julio ainda no final da conexão com os futuros arquidiocesanos de Belém através da Rede Nacional de Comunicação -. Sigo com boas expectativas e pequenas esperanças, como aquelas de poder me adaptar bem, poder realizar o meu trabalho, encontrar colaboradores e de não fazer muitos estragos aí em Belém do Pará… Mas vou também com uma grande esperança, esperança que não decepciona, esperança que nos é dada no dia em que a gente é batizada, a esperança em Deus. Por isso, vou chegando aí, levando pequenas esperanças na mala, mas também carregado da grande esperança, a esperança que não decepciona, a esperança que faz a gente caminhar”. – Texto José Benedito de Almeida Gomes

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