A volta às aulas de 2026 ocorre em meio a uma mudança no comportamento do consumidor. Levantamento do Núcleo de Estudos Econômicos da Athon, a pedido da ACSO, indica que oito em cada 10 famílias pretendem reaproveitar materiais do ano anterior. Ao mesmo tempo, 88% afirmam que os gastos escolares pesam no orçamento.
O movimento é resultado de um descompasso entre renda e preços. Entre 2023 e 2026, os valores de materiais escolares acumulam alta de cerca de 29%, bem acima da inflação geral do período, estimada em 14%. O impacto vai além do consumo pontual e revela uma transformação estrutural na forma de compra das famílias.
Esse cenário afeta diretamente o varejo. Projeções do IBEVAR/FIA apontam retração de 5,9% nas vendas de material escolar em 2026, com maior pressão sobre pequenas e médias empresas. A inadimplência das famílias, próxima de 7%, mantém juros elevados e restringe o crédito disponível.
Na Região Metropolitana de Sorocaba, o comportamento defensivo é ainda mais evidente. Dados do Procon-SP mostram variação de até 270% no preço de um mesmo item no comércio local. A pesquisa intensa virou regra, colocando lojistas em disputa direta com atacarejos e marketplaces digitais.
Diante desse quadro, a ACSO avalia que a competitividade não estará restrita ao preço. Serviços como encadernação, reparos, personalização e kits por faixa de valor ganham espaço entre consumidores focados no controle dos gastos e no reaproveitamento do que já possuem.
“O consumidor mudou, e o comércio precisa mudar junto. Hoje, o lojista não concorre apenas com a papelaria ao lado, mas com o orçamento apertado das famílias. Quem conseguir se posicionar como aliado do cliente, vai atravessar esse período com mais resiliência”, afirma o presidente da ACSO, Hygor Duarte.